terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Quicando pelas colinas perto do topo, e zig-zaguendo a respiração das cavernas

Sobre a ferrugem, o ar... o que é como o ar para o ferro bruto?
solta assim, essa pergunta, parece como um freio de disco para um balão comum, de gás hélio... boom... algo de dentro pra fora, de qualquer forma, sob a insistente membrana de plástico, paira um futuro próximo, surdo, leve... a muleta da separação, lá, se mostra, essa separação não consegue segurar a pressão de um balão nas alturas
lá embaixo a festa continuou, e quem diria? na sala, enchendo eles, nem se quer espiaram o futuro deles, apenas se movimentavam pelo tempo que tinham em mãos... rituais parecem fazer o pensamento importante, penso eu, escrevendo aqui
rituais são coisas loucas
podem ser tão crus quanto respostas aos números de um relógio
podem ser tão desnutridos quanto um berro para mandar naquilo que não fala nem ouve, entoxicado, com uma estéril mensagem de repulsa - por favor, grave bem isso
escapou o bico de um balão. alguém surge, acude, riem.

nesse balão enferrujado, que são as minhas mãos? que imagem ele reflete? e com que berro ele parece ter voz... quantas antenas, fios, pipas e migrações... as vezes a separação se rompe, mas é apenas ar, e ele corre forte para fora, o de dentro empurra o de fora, que estava em atrito com a membrana, que subitamente desfaz-se... como deve ser cada nanosegundo desses dois, desde quando a imagem do fiapo se projetava sob a membrana, até um pouco tempo depois de o ar de fora chocar-se com o fiapo, até reencontrar-se com o ar um pouco mais de dentro?

...se o balão fosse a serena cor que faz companhia ao riso e ao choro da vida?

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Eventualmente

Isto - dedos: pele, pelos, nervos, músculos, ossos, veias e sangue.
Isto - pele: células e células e formas
Isto - pelos, nervos...

Sensores, estímulos e memória. Algo vê. Vê?

Isto - antes e depois.

Ação.

O que é ação? Agora!

Antes e depois.

(para, pensa... o vidente torna-se o visto, e visto que o vidente está na visão, e a visão é um quadro limitado disto, ao mesmo tempo que é a via pela qual o isto gera a visão e o visto, a ação do vidente torna-se fragmentada, nisto -para, pensa- pelo movimento da visão de si mesmo, enquanto nada há para se ver, apenas para pensar, o vidente, aqui, torna-se um sensor sob intermédio da memória)

Linha, olhos, imagens, letras, símbolos - ecos, vidente é o nome dado aquele que vê e a ação daquele que vê, é o que? e

Isto -     -

ah,

Unboxing

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Entrada - loop Entrada - loop

!Dor!
Pee pee pee pee pee pee pee
-Onde?!
pé esquerdo - dedo anelar, lado de dentro, penúltima e ultima seções - movimento áspero, pressão, ponta, rasgo -dor- !!
Pee pee pee pee x0.8 pee pee pee pee pee pee pee x0.5 pee pee pee pee x0.28 !Dor! Pee pee x1 x0.85 -dor- !! .   .   .   .

- Meu deus. O que foi que eu fiz? Por todos esses anos, com todas essas pessoas, sob que loucura? Motivo algum se aplica aqui, e mesmo assim, eu apliquei... Onde eu estava com a cabeça, por deus, veja só isso! - Fome, doença, tristeza, medo, raiva - tudo ali, impresso em cada ser, que por tão pouco tempo respira esse ar. Cada um, nasceu. Todos morrem, e cada um morre. Por todos esses anos: até aqui; até agora; - e olhava para as pessoas, de uma em uma. Cada uma delas, novamente impressionadas.

Completamente excluído, percebia, pela primeira vez, o quão isolado era. Um ser alienígena, e monstruoso. E pela primeira vez, era palco da humanidade, assim como o céu é palco do sol e o sol, palco do calor, e das colisões. Assim.

Alguem se aproximava velozmente. Trêmulo e sonoro, nervos rijos aos arredores dos olhos, que, focados, pareciam já haver superado a expulsão de todas aquelas lágrimas brilhantes.

domingo, 1 de outubro de 2017

Ping-Pong - a mesa poligonal e a bolinha de fatos

A cascata de caixas de cascas lá estava. Caixas vermelhas, algumas verdes e até mesmo algumas rosa e marrom - formadas por cascas de limão, caranguejos, pão, verdade, manga, seringueiras, besouros, cicatriz, bala, romã, bananas, e muitas outras, até mesmo umas feitas por casquinhas de contos e titulos. Um relatório superficial da faixa de dimensões seria: grande massa de dimensão média, com tamanhos grandes isolados e leves fluxos de micro caixas esparsos em diferentes locais de tempo e espaço e ps... Opa, abelhas! Ah! - relator corre. E qualquer outro relatório continuaria superficial, apesar de todos os relatórios serem livres em muitos sentidos, dos quais, por sua vez, surgem todas as oferendas de profundidade. Sob a luz de mentes que em meio a observação de ações em movimento, projeta nas ações palavras que brotam de um cotinuum onde há as sensações, propósitos e fantasmas -como pedaços de memoria preenchendo lacunas de percepção com o peso da concentração, em diferentes regiões do espectro que abrange em si frequências que vão do duvida esmagada até distração inflada, e outras coisas-. Sob a luz de uma mente que aquieta-se frente aos fatos, e que inventa réguas em relação com outras mentes, sem desviar-se dos fatos, réguas que se inventam a medida que a presença do que é se encontra com a atenção, palavras soltas que voam até os fatos, de onde são expulsas -por elas mesmas ou pelos próprios fatos(seja como projeção externa de outras palavras que tocaram fatos, seja como fatos atuais)- e que eventualmente ecoam em ressonância, sendo rapidamente esquecidas enquanto aquilo que elas tocaram no fato, desliza pelo fluxo de consciência que é a própria relação. E então quicou na parede. Um pássaro que voava, o fez ali, onde encontrou um pedaço de casca, antes de o fazer se aprofundando no horizonte, que lá, é um lago de florestas no meio de um longo tapete de dunas de oceanos. Um Zoeiris no Deus Certos. "Oferendas" parecem dizer suas sombras sob as dunas.

Zoeiris olha para traz, e seguindo o tapete de brilho que suas asas sempre empoeiradas com poeira de espelho teciam ao bater, chega com seu campo focal de visão ao Gol. Lá, viu o futuro, e também ouvia. Sentia o sabor, cheiro e tudo o mais. Tudo que era o Gol, também lhe dizia "eu sou Gol", mas sem palavra. Apenas um ente que é, em contato com a simpatia descuidada de um amigo. Agora parecia como quando as teias teciam cortinas de aranhas, só que depois de terminarem. Escuro. Ai. Este Gol quase viveu mais um cego.

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zZzZoeiris acorda. O vapor amarelado e perfumado com folhas secas e terra logo é notado. Esta em seus pulmões, narinas, aos arredores dos pés, canelas, joelhos, coxas, tronco, pescoço, braços e além. Uma chuva de odores, se formando num contexto alegórico, em que a matéria local é o céu, e os arredores fossem o o chão. O pássaro, em um sobressalto de ritmo tranquilo, começou a abrir os olhos e integrar a ligação entre a percepção, e suas demandas internas. O movimento de sua cabeça revelava o som de folhas se quebrando, e uma tímida fumaça de espelhos se projetar para o ar e tentar voltar de onde veio. Estava num prédio.

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-Serviço de quarto.-
-Estamos no térreo senhor.-
-Hm... Serviço!-

Virou-se e caminhou, cobrindo-se com o escuro da escadaria e então com a porta.



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Olhando daqui, me pergunto, quantas vezes será que ele caminhou por essas escadas? Suas pernas, respeitando as condições físicas de sua saúde, descem habilmente, sem jamais errar o ritmo, ou o degrau, que sempre esta alinhado igualmente em relação ao anterior, ao térreo e ao chão, um por um. O escuro parece se esconder nas sombras, a luz do movimento das pernas, talvez alimentada pela regularidade da escadaria. 0.5, 0.8, 1.0, 1.4, 1.9, 2.5, 3.1, 3.8, 4.5, 5, 6, 10... 15? 20 anos talvez? 2ª, 4ª até sábado. Domingo pela manhã. O recurso humano, e a escadaria. O horário. Os dias e os anos. Antes das refeições, quando os técnicos de antena surgem. E hoje, quando um barulho reverberou até no andar de baixo, onde um quarto precisava de um encanador. Mas se satisfaria com qualquer ser ou maquina que trocasse um cano. Depois alguem que limpasse o chão e então alguem que se desculpasse, sob um simpático manto de humilhação. Um ano, olhando aquele hotel de cima, em 20 minutos, seria como enxergar um aspirador de 40 metros sugando e expelindo visitantes, famílias de quem estava no hospital, executivos e outras coisas. E lá dentro, o mecanismo. As camas e paredes e banheiros. Sempre limpos, sem nada para atrapalhar a sucção. Ele era uma peça essencial, porem abundante e de facílima troca. Também era um usuário de musicas, um que gostava de produzir seus utensílios abstratos, as vezes mais que usar, as vezes de usar, e as vezes um mistério simplesmente acontecia, enquanto ele se movimentava misteriosamente: papel, caneta, assovios, botão vermelho, voz, caneta, papel... suspensos sob o amontoado de estresse, romance e convicções, que quer ser espelho, no entanto, sempre que atendido, se prova frustrado, ao cair exausto logo depois de fazer surgir o maquiador, ou a parede, ou o dermatologista. "É preciso construir a casa, mobiliar, fazero o confeiteiro e o aniversariante, o bolo, e só então por uma cereja em cima dele" diria, se pudesse falar, aquilo que é o músico antes do nome, no futuro espelhado, misterioso campo de imagens. Campo das construções, do poder e das sensações.


domingo, 4 de junho de 2017

Enlatados

Os postes de iluminação lambuzavam o ar úmido com uma gosma de luz branca. Branquinha e espessa como uma pasta, uma que está recheada de insetos pequeninos que nadam por espirais de ralos invisíveis, onde decantados, no fundo falso de um pote sem paredes Civilização©, alguns humanos rastejam, escorregando por dentre casas, prédios, lojas e fabricas, alguns caminham e uns voam, enquanto outros, fazedores de coisas sem forma conceitual, fazem essas coisas. Havia também uma placa, do tamanho de uma geladeira de família, abraçada a dois postes que cuidavam de um espaço separado por uma vértice, o ponto cego da entrada triangular - "Conselho de Politica de Bairro" -, na base do triangulo estava uma casa, e era ali que as pessoas se reuniam para tratar urgências que afetassem a todas elas. Coisas como invasão de pestes, revoadas de sonhos pontudos, comemorações de por do sol melífluo e climas intensos ameaçadores.



                                        O mundo depois da base

Em pé, de peito protuberante numa pose de firmeza, apontando para um nada dentro de uma frase pressurizada, o homem com o chapéu de anfitrião do instituto atuava o seu papel, investindo suas melhores habilidades:
- Olhem, vejam bem!-

                           O mundo, a ponte e o mundo

Os gêmeos Ana e André seguraram o riso, até que logo em seguida passou um veiculo de sirenes ligadas, causando alvoroço. O alvoroço era bobo e animado, do tipo relaxado e com rodinhas e pernas saltitantes, empenhadas em escorregadios ventosos como a respiração de um pesadelo sob a papelada do escritório. Depois de o alvoroço entrar pela janela, esbarrou nos gêmeos, que soltaram o riso quando a surpresa alcançou os braços, e até a pasta de documentos da coleta de informação dos recursos de reparos soltou-se - junto do papel de tesoureiros do valor cívico. Um riso de dois corpos em meio a um alvoroço de tantos outros. No veículo estava Anelia, como prometido no piquenique de três anos antes. No de 2 anos e oito meses, no da próxima semana, e em infinitos outros que aconteceram, inclusive antes desse momento. Agora o anfitrião se revelava como apenas a introdução de um fluxo de gargalhadas gêmeas, que afloravam naquela noite, como figurinhas de colecionador do envelope rasgado - finalmente. "Eu juro que ainda provo por mim mesma que essa papelada, e esses crachás e essa pomposidade são parte de uma peça circense a céu aberto, e cada pedacinho dessa peça será uma bolinha colorida desenhando círculos no ar que o malabarismo respira..." - "...Ouvi falar que um velhinho os enganou usando uma mangueira enrolada no pescoço com a ponta amarrada no cinto de cipó, entrou na sala dos chefões da coisa toda e de lá trouxe o melhor licor que a reunião geriátrica dos sábados já bebeu" - "... Outro dia, no incêndio da rua 8, proibiram eles de salvar o edifício porque o crachá estava sujo de queijo! Alterava a leitura, e os equipamentos ficavam travados!" - e agora, girando um laço com os braços pra fora do veículo - suspensório dos motoristas- , de charuto na boca e sirene ligada, Anelia acelerava, dava meias voltas, freiava acrobaticamente, enlaçava os passantes, e corria por ai.

A aba do chapéu, forrada com uma chapa de um metal polido, era quadro do reflexo da expressão de perplexidade e irritação do anfitrião, que pensava estar ordenando ao anfitrião substituto que as janelas fossem encobridas e que as lampadas fossem apagadas, seu discurso era a única coisa a brilhar naquele lugar e naquela hora. Mas não. Aquele lugar já não mais era o lugar dos anfitriões. Nem dos tesoureiros, ou dos civis, quanto menos dos discursos. Aquele lugar, era "lugar nenhum de porra alguma" ou apenas lugar, assim como tudo. Havia risos, surpresa e tensão. Como abaixo, este é o motivo pelo qual estas palavras estão aqui, meio caindo e meio levantando.
De frente para a parede com a janela por onde a imagem de Anelia surgia dentro do concelho, havia outra parede, e foi acompanhando ela que uma figura esfumaceada pelo sombreado que habita os cantos se foi, sorrateiramente, de encontro ao telefone. As sombras pareciam uma camisa de força tentando imobilizar um riso louco e agitado, montado em um trejeito confeccionado por linhas de sagacidade e agulhas de critérios, dentro de uma carroça que passava por uma estrada de pedras.

Denilson, aquele que trás a encomenda

Estranhamente, a história que aqui estava escrita desapareceu, mas tudo indica que em pouco tempo ela retornará ao seu devido lugar. 

Olha, já escrevi cinco. Cinco continuações. Sempre começo a escrever por aqui, então, este é realmente o lugar onde estes textos acontecem. Cinco. Oi? Sim. Consegui perder todas elas. Se alguma entidade esta tentando me mandar um sinal, deve estar frustrada, porque só considerei essa possibilidade agora, pelo menos se a minha suspeita sobre manifestações físicas serem algo difícil para estas formas de entidades (essas dos sinais)... Enfim, vou postar isso antes que perca. Já não garanto que a história retorne. K.O.

-Notação de trajeto: A de 1 a 4 completo. B, 1 e 3 cancelados, entrar em contato. 2 e 4, a caminho- "clic"

O colar de luzes formado pelos postes ao longo da estrada que ligava os trechos habitados da cidade, esborrifava pelo caminho pequenas portinholas para o passado, onde, por diversas vezes, Denilson fizera este mesmo trajeto. Todas as portinholas o levavam para os fins de tarde, como uma cabeça sob o pescoço, como um pescoço sob um corpo, como um colar sob um corpo.

Certa vez, em um lugar chamado Terra (ou algo como isso) de Todos os Santos(blá blá), um ente com pernas de vento ria e flutuava por dentro de uma flor, onde, descobriu ter se perdido. Ali. Tempo aqui, ali e então a criatura -depois de ter acabado desmaiada de cansaço e fraqueza- foi expelida por um buraco que se abriu, caindo no solo e sendo absorvida pelas raízes de uma lágrima de nossa senhora. Onde acordou, já bem melhor, rindo de seu sonho bobo sobre precisar de algo tão bobo como comida, para poder viver - não perder a consciência - não morrer de fome etc; a criatura calçou seu vento (algo como isso) e flutuou-se planta a fora (ou dentro, no caso, dentro a fora, diria), e depois de conhecer todos os caules, folhas e flores, descansou, dormiu, e quando acordou, já era semente - a sua cama.



domingo, 7 de maio de 2017

Mangueira Auto-Falante - Domingo, meio enrolada/meio pendurada/meio esticada

Desenhando

Numa mangueira transparente, lentamente, como o futuro latente, no gargalo, a bolha consente - e formiga na barriga ventosa, ar e voada de patas;

Um risco, no papel do espaço, cheio de ar, outro risco. Linhas curvas, traçadas no fundo de todos os olhos, que viram, a bolha esparramar, espirrar. Outro risco. Consente. - os lás e aquis nos agoras, enleando a floresta em formiga e formigueiros. A bela;

A argola, no quadro antes da flora, pendendo, pendente. Pingente. Vozes, enevoadas, no fundo do ouvido, no ontem. Transparente, lentamente, esparrama: "Mãe!
"Ah, mãe natureza!
"Ai, minha orelha, para, para, não faço mais...
"Mãe de todos
...um ouvido e um olho." - rolando, como o futuro serpente, entocado, no deserto diário, que veste a láctea mente - sim, sim, pode confiar - cuida, que te agarram as tetas - deixa que agarrem - que esparramem, que espirrem - outro risco. Rios de covas, pingos e curvas... de, até...

A cera, o chão, o nível e o céu. Vozes. Não. Sons, que escapam de asas, que batem nas tardes, perto das noites, no meio das primaveras, que se prendem em ferroadas, e ferrões livres de toda a gente, no espaço, os sons, entre flores e nascentes e que empoeirados numa prata férrea, encorparam na acústica - eletromagnética - de uma pinça na mente, que enferrujada outrora, desemperra e aflora - entre o gole e a enchente - e tosse. Esparrama. Espirra. Outro risco, pendente.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

serurgia

Andando.
Uma navalha, e o caminho.
As pernas de névoas, e o peito de um brilhante orvalho lunar.

O fio,
           desenrolando por dentre as folhagens, que rolam
 para
            fora da terra
                                   e
            nos olhos

dos indivíduos das névoas, um por um... desde aqui até onde pairam sob o deserto

       O estetoscópio, na servil mesa de angústia, entalhada, para fora da terra
                                     com o caminho pendendo, na mesa da neutralidade
                                                           longe ainda, da navalha.

>->->->->-> corta